
PERCORRI A ROTA 66 DOS SONHOS ENTRE PARQUES, DESERTOS E MAIS DE 70 MONTANHAS-RUSSAS
Essa road trip pela Rota 66 não foi apenas uma viagem — foi um divisor de águas na minha vida. Foi olhar para o menino que cresceu sonhando com parques, estradas infinitas e montanhas-russas gigantes, e finalmente dizer: eu consegui. Cruzar os Estados Unidos de carro, ver paisagens que parecem irreais, sair de rodovias vazias no meio do deserto e dar de cara com cidades iluminadas como Las Vegas, foi emocionante em um nível difícil de colocar em palavras. Cada parque visitado, cada atração encarada, cada frio na barriga antes da primeira queda carregava anos de sonho, espera e vontade. Foram dias intensos, cansativos e absolutamente inesquecíveis. Essa viagem me ensinou que ir atrás dos próprios sonhos vale cada esforço — e que a estrada sempre guarda algo extraordinário para quem se permite seguir em frente.
🎢 O Six Flags Great America foi pensado desde o início para receber montanhas-russas de grande porte!
🎠 O Lagoon abriga uma montanha-russa de madeira de 1921 que ainda opera, sendo mais antiga que qualquer parque da Disney!
🎡 Alguns cânions da região têm rochas com quase 2 bilhões de anos, tornando a paisagem uma das mais antigas e impressionantes do planeta!
🎢 A Disneyland é o único parque da Disney que Walt Disney realmente caminhou e supervisionou pessoalmente!
🎠 Criada em 1926, a Rota 66 virou símbolo máximo da road trip americana, conectando cidades que só existem graças a ela!
🎡 O Silver Dollar City usa o relevo natural das montanhas de Ozark de forma extrema, com montanhas-russas como a Outlaw Run o acompanhando!
roteiro
1) Chegada em Cleveland
📷 Onde fui: passeio pelo centro de Cleveland: West Side Market / Cleveland Public Square / Rock & Roll Hall of Fame / Edgewater Beach + ida à Sandusky
2) Cedar Point
3) Trajeto de Sandusky à Muskegon / Michigan's Adventure / Trajeto de Muskegon à Chicago
4) Six Flags Great America
5) Indiana Beach / Tarde em Chicago
📷 Onde fui: Navy Pier / Riverwalk / Millennium Park / Magnificent Mile
6) Trajeto de Chicago à Wisconsin Dells / Mt. Olympus Theme & Water Park
7) Trajeto de Wisconsin Dells à Minneapolis / Nickelodeon Universe no Mall of America
📷 Onde fui: Mall of America
8) Valleyfair
9) Trajeto de Minneapolis à Des Moines / Lost Island
10) Adventureland
11) Trajeto de Des Moines à Kansas City / Worlds of Fun
12) Trajeto de Kansas City à St. Louis / Six Flags St. Louis
13) Trajeto de St. Louis à Branson / Fantastic Caverns + passeio de trem em Branson
📷 Onde fui: Fantastic Caverns / Bass Pro Shops Headquarters em Springfield / Passeio de trem em Branson / The Branson Coaster / Branson Mountain Adventure Park
14) Silver Dollar City
15) Trajeto de Branson à Hot Springs / Magic Springs
16) Trajeto de Hot Springs à Oklahoma City / Six Flags Frontier City
17) Voo de Oklahoma City à Denver / Elitch Gardens
18) Trajeto de Denver à Glenwood / Glenwood Caverns Adventure Park
📷 Onde fui: Vail
19) Trajeto de Glenwood à Moab / Parque Nacional dos Arcos
20) Parque Nacional Canyonlands / Trajeto de Moab à Salt Lake City
📷 Onde fui: Outlets at Traverse Mountain
21) Lagoon
📷 Onde fui: Great Salt Lake
22) Trajeto de Salt Lake City à Las Vegas / Parque Nacional Zion
23) Dia na Rota 66 / The STRAT
📷 Onde fui: Seligman / Grand Canyon West
24) Dia para explorar Las Vegas / Adventuredome
25) Trajeto de Las Vegas à Los Angeles / Píer de Santa Mônica
📷 Onde fui: Cidade fantasma de Calico / Museu do McDonald's em San Bernardino
26) SeaWorld San Diego + Belmont Park
27) Disneyland
28) Disney California Adventure
29) Six Flags Magic Mountain
30) Universal Studios Hollywood
31) Knott’s Berry Farm
32) Retorno ao Brasil
GASTOS DE
DESLOCAMENTO
Passagens aéreas ✈️
Ida e volta:
Rio de Janeiro (GIG)-Cleveland (CLE)
Los Angeles (LAX)-Rio de Janeiro (GIG)
via American Airlines
USD 785
BRL 4.305
Oklahoma City (OKC)-Denver (DEN)
via Southwest
USD 146
BRL 805
Aluguel de carro 🚗
Trecho 1:
Cleveland-Oklahoma City
15 dias
USD 1.225
BRL 6.731,00 via Rentcars (locadora: Budget)
Preço por pessoa: USD 410 | BRL 2.245,00 (dividido por 3)
Trecho 2:
Denver-Los Angeles
15 dias
USD 1.606
BRL 8.835,10 via Rentcars (locadora: Hertz)
Preço por pessoa: USD 535 | R$ 2.945,00 (dividido por 3)
GASTOS DE HOSPEDAGEM
Preços por pessoa (dividido por 3)
1) Sandusky: Super 8 by Wyndham Sandusky
USD 62 | BRL 345
3 noites
2) Chicago: Motel 6-Hammond, IN - Chicago Area
USD 77 | BRL 425
3 noites
3) Wisconsin Dells: Super 8 by Wyndham Wisconsin Dells
USD 30 | BRL 163
1 noites
4) Minneapolis: Super 8 by Wyndham Chaska
USD 54 | BRL 300
2 noites
5) Des Moines: Adventureland Inn
USD 74 | BRL 410
2 noites
6) Kansas City: Super 8 by Wyndham Kansas City
USD 44 | BRL 245
1 noite
7) St. Louis: Super 8 by Wyndham Rolla
USD 30 | BRL 162
1 noite
8) Branson: Spinning Wheel Inn
USD 42 | BRL 235
2 noites
9) Hot Springs: Rodeway Inn Hot Springs National Park Area
USD 32 | BRL 175
1 noite
10) Oklahoma City: Ramada by Wyndham Oklahoma City Airport North
USD 20 | BRL 100
1 noite
11) Denver: Motel 6- Denver, CO Downtown
USD 30 | BRL 165
1 noite
12) Glenwood: Glenwood Springs Cedar Lodge
USD 65 | BRL 350
1 noite
13) Moab: Glenwood Springs Cedar Lodge
USD 62 | BRL 345
1 noite
14) Salt Lake City: Super 8 by Wyndham Woods Cross - Salt Lake City North
USD 45 | BRL 245
2 noites
15) Las Vegas: Circus Circus Hotel & Casino
USD 65 | BRL 350
3 noites
16) Los Angeles: Days Inn & Suites by Wyndham Anaheim At Disneyland Park
USD 160 | BRL 870
7 noites

GASTOS DE INGRESSOS
Passe Platinum da Cedar Fair: USD 285 | BRL1.560
Sunrise Thrills VIP Tour no Cedar Point: USD 195 | BR 1.070
Passe Diamond da Six Flags: USD 169 | BRL 930
Indiana Beach: USD 33 | BRL 186
Nickelodeon Universe: USD 48 | BRL 265
Mt. Olympus: USD 10 | BRL 55
Lost Island: USD 45 | BRL 250
Adventureland: USD 46 | BRL 230
Silver Dollar City: USD 88 | BRL 485
Fantastic Caverns: USD 29 | BRL 160
Runaway Coaster: USD 18 | BRL 100
Magic Springs: USD 49 | BRL 270
Elitch Gardens: USD 53 | BRL 295,00
Glenwood Caverns: USD 64 | BRL 355
Lagoon: USD 81 | BRL 450
The STRAT: USD 40 | BRL 220
Adventuredome: USD 63 | BRL 350
High Roller c/ Open Bar: USD 68 | BRL 375
Montanha-russa do New York-New York: USD 22 | BRL 122
Disneyland Resort (2 dias): USD 350 | BRL 1.925
Universal Studios Hollywood: USD 135 | BRL 740
Early Ticket Super Nintendo World: USD 35 | BRL 192,50
SeaWorld San Diego: USD 90 | BRL 495
GASTOS EM VIAGEM
Comida: USD 1.000,00 | BRL 5.500,00
Compras: USD 500 | BRL 1.500,00
Pedágios/Gasolina: USD 300 | BRL 1.650
CUSTO
TOTAL
BRL 36.212
USD 6.584
Cleveland | Sandusky | Chicago | Wisconsin Dells | Minneapolis | Des Moines | Kansas City | St. Louis | Branson | Hot Springs | Oklahoma City | Denver | Glenwood Springs | Moab | Salt Lake City | Las Vegas | Los Angeles
31 de mai. de 2023
Olá, parqueiro! Caso queira pular a introdução,
pode ir direto para cada parte específica da viagem
Ah, os anos 70 e 80… saudades do que eu não vivi. O surgimento das tecnologias, dos eletrônicos, da música eletrônica dançante, da consolidação do entretenimento de shoppings, fliperamas, ringues de patinação e… parques temáticos. Por toda a América do Norte, os parques inauguraram suas primeiras montanhas-russas de grandíssimo porte, muito altas, muito longas, ou até mesmo com muitos elementos que te fazem virar de cabeça para baixo. Ah, o auge da televisão à cores, uma novidade incrível, ver filmes em videocassetes, e pegar a estrada em busca do desconhecido…
Há alguns anos atrás, no início da década de 1920, nos Estados Unidos, uma estrada em particular ganhou a atenção não só dos estadunidenses, mas do mundo, pela ousadia em atravessar o país passando por 4 biomas diferentes (lagos, florestas, cânions e praia), e acompanhando as formas da natureza: serras, desfiladeiros, rios, morros… Uma estrada cheia de curvas, pontes, faixas largas, faixas pequenas… Era o sonho de todo estadunidense (e de fato, de qualquer pessoa apaixonada por viajar) atravessar a Rota 66 e conquistar o oeste mais uma vez.

Porém, no meio dos anos 70, a Rota 66 foi desativada para dar lugar à Interestadual 40, uma autoestrada de faixas muito mais largas, e atropelando qualquer formação geológica que viesse pela frente para ser uma linha reta perfeita. O tempo de viagem foi reduzido de uma forma incrível e o tráfego para o oeste mais do que quadruplicou. Com isso, cidades à beira da Rota 66 foram abandonadas, virando cidades fantasmas em uma rapidez tão significativa quanto às velocidades máximas dos carros na Interestadual 40.
No auge dos anos 80, a Rota 66 virou um símbolo nostálgico de viajantes do mundo todo, que queriam conhecer o que sobrou da antiga estrada que era uma epopeia de viagem para os estadunidenses. As poucas cidades que restaram se tornaram museus a céu aberto, e muitas outras estruturas foram abandonadas. A realidade de cidades maiores, como Chicago, St. Louis e Los Angeles não definharam, muito pelo contrário, já que a Rota 66 havia sido fundamental para trazer o progresso a esses lugares no passado. O imaginário da Rota 66 consolidado nos anos 1980 representar a liberdade de viajar e desbravar o mundo em uma estrada continua até os dias de hoje, inspirando souvenirs, rotas malucas (como essa que você está lendo) e até mesmo, filmes e músicas.
Grande parte desse imaginário se deve aos diferentes cenários em que a Rota 66 passou, sendo os cânions os mais emblemáticos. Quando criança, o filme me marcou Spirit - O Corcel Indomável, me marcou demais pela sua história, mas também muito pelo seu visual, que se passa em dois dos biomas da Rota 66: as florestas e os cânions. Como a principal mensagem do filme é sobre liberdade, e a criança que assistia era totalmente presa de um apartamento, Spirit se tornou para mim uma meta de vida: ser tão livre quanto aquele cavalo e sentir isso vendo os cânions passarem nos meus olhos. Algo que ficou na minha cabeça desde o lançamento do filme, em 2002.
Dito isso, chega aos cinemas, em 2006, Carros, que explodiu de vez a vontade de viajar pela Rota 66 no mundo todo (e em mim). A The Walt Disney Pictures foi até uma das cidades da Rota 66 original, Seligman, e baseada em uma entrevista da pessoa mais velha da cidade, redigiu todo o roteiro do filme e criou a cidade de Radiator Springs. Carros me emocionou de uma forma absurda, especialmente pela história de recuperação da cidade e pela amizade de Relâmpago McQueen e Matt. Até hoje, é o filme que mais assisti na vida, ultrapassando 70 vezes, e cada vez que eu via Carros, eu pensava: eu definitivamente preciso estar nesse lugar. Sinto que pertenço à ele.
Além disso, toda estética dos anos 80 havia me encantado a partir do momento que comecei a assistir Stranger Things. Era quase como se eu pudesse viver os anos 80 mesmo estando anos à frente. Para completar, conheci uma banda chamada The Midnight, que faz músicas nos melhores gêneros eletrônicos dos anos 80, o synthpop e o synthwave. Eu procurei muitos nomes para poder dar à essa viagem, com “Get Your Kicks” da música Route 66 da banda the King Cole Trio e “Born to be Wild” da música da banda Steppenwolf. Porém, quando eu ouvi a música Heartbeat do The Midnight, eu sabia que essa música traduziria tudo que eu escrevi sobre até agora: aventura, emoção, liberdade, estrada, viajar. Foi o casamento perfeito.
Depois de visitar os parques da Costa Leste e do Texas nos Estados Unidos, chegou o momento de eu conquistar o oeste. Juntei dois amigos para viver esse sonho junto comigo, e começamos a planejar dois anos antes como seria nossa viagem pela Rota 66. Fizemos algumas modificações no trajeto original da estrada para absorver a maior quantidade de parques possíveis. Iríamos sair de Cleveland, chegar até Chicago, ponto de início da Rota 66, e seguir de carro até Los Angeles, onde o fim fica no píer de Santa Mônica em Los Angeles. Contabilizamos 25 parques, 17 cidades e um percurso de mais de 8000 km que seriam rodados. Como diria Relâmpago McQueen,
"Califórnia, aí vamos nós!"
Parece que quanto mais o tempo passava, mais devagar ele ficava. A ansiedade estava cada vez mais alta, até que chegou o momento do embarque para Cleveland. A mala estava abarrotada de coisas - a minha empolgação era tanta, que eu perdi completamente a mão e levei muito mais coisas do que eu precisava! Normalmente, para 30 dias, eu levo 25 camisetas, e algumas eu lavo durante a viagem. Dessa vez, eu tinha posto mais de 40 camisetas, fora pares de tênis… Definitivamente não preciso disso tudo. Quando viajamos pela estrada, o que menos precisamos é nos preocupar com a roupa!
Além dos parques que decidimos ir, vimos que tinha muito a fazer no caminho, o que levou a gente a separar alguns dias para poder entrar nos parques nacionais de cânions, curtir as cavernas das florestas, e as atividades loucas de Las Vegas, por exemplo. Mesmo assim, não foi o suficiente. A Rota 66 tem muito a se fazer, e quando eu vi, eu já estava planejando outra viagem para lá. Respirei fundo e me concentrei no que estava por vir, especialmente porque já no segundo dia de viagem, eu ia começar realizando um sonho que ficou preso em 2021, quando tentei fazer o tour de bastidores do Cedar Point e foi cancelado no último minuto. Com todos os documentos prontos e impressos, estávamos no avião indo em direção à mãe de todas as estradas.

Parte I: Grandes Lagos

Logo após chegarmos em Cleveland, fomos explorar o centro da cidade para comer alguma coisa antes de partir para Sandusky. Eu não sei o que acontece com esses centros de cidade estadunidense do interior, mas todos são vazios. Fomos encontrar em um shopping da cidade um restaurante mexicano que nos serviu muito bem para primeira refeição e depois fomos passear nas lojas ali perto, onde encontramos o West Side Market, que funciona como o “mercado municipal da cidade” e fizemos um estoque de framboesas, frutas muito populares nos Estados Unidos. Ainda passeamos pelo Edgewater Park para sentir a brisa do grande lago Erie e seguimos para Sandusky. Chegando lá, aproveitamos para fazer as tradicionais primeiras compras da viagem no Walmart, como nossas bebidas favoritas, muitas garrafas de água, lanches para estrada e itens pessoais e de higiene, como panos anti-estática para secadora de roupas, sabão em pó para a lavadora e um spray maravilhoso que ao passar na roupa e passar as mãos por cima, fica como se fosse (quase) passada por um ferro!
O dia seguinte foi no Cedar Point, um dos meus parques favoritos. Essa era a minha quarta visita no parque, e a melhor de todas. Para começar, consegui realizar um sonho preso em 2021, que é realizar o Sunrise Thrills Vip Tour, um tour de backstage nas principais montanhas-russas do parque, incluindo minha amada Maverick. O tour termina em um momento épico: subimos no topo da Valravn e vimos o dia amanhecer no Cedar Point - completamente inesquecível. Depois, era só aproveitar o dia em um dos melhores parques temáticos dos Estados Unidos com suas 17 montanhas-russas e mais de 80 atrações espalhadas por uma linda península em cima do Lago Erie. Aproveitamos até o último minuto, e destaco as atrações Millennium Force, uma giga montanha-russa com mais de 90 metros de altura; a Steel Vengeance, a maior montanha-russa híbrida do mundo; e a Maverick, uma montanha-russa de múltiplos lançamentos com quedas e curvas radicais e altos índices de emoção.
Como sou um doido por montanhas-russas e gosto de visitar todos os parques possíveis, especialmente se eles tem em seu quadro de atrações uma montanha-russa super bem conceituada, eu e meu amigos viajamos para até o interior do Michigan, perto da cidade de Grand Rapids, em um percurso de quase 4 horas desde Sandusky. Nosso destino foi o Michigan’s Adventure, um parque de diversões do interior dos Estados Unidos com parque aquático anexado, e 7 montanhas-russas, entre elas a Shivering Timbers, uma montanha-russa de madeira gigantesca com mais de 15 pontos em que você levita do banco tamanha a força da gravidade negativa! Foi uma ótima parada no caminho de Sandusky até Chicago, especialmente porque o parque é extremamente tranquilo de visitar, além de ter sido super relaxante ir nos brinquedos aquáticos, andar nas outras ótimas montanhas-russas de madeira, como a Wolverine Wildcat, que tem trilhos híbridos (ora de madeira, e ora de aço) e curtir uma diversão vintage em brinquedos do século XX.
Quando chegamos em Chicago, à noite, me senti infinito (como diria os personagens de As Vantagens de Ser Invisível)! Ver a cidade cintilando, fora a similaridade com Gotham City, do universo do Batman que tanto amo, pulsou meu coração de tal forma que me fez ter a vontade de explorar Chicago pela madrugada adentro. Mas, como isso não é recomendado, me contentei em deixar meus olhinhos brilharem com uma das melhores cidades dos Estados Unidos para se viver. Não resistimos e paramos no Five Guys à beira do Grant Park para comprar um combão de sanduíche e batata-frita e ver o lago Michigan refletindo as luzes da cidade.
No dia seguinte, fomos extremamente animados para o Six Flags Great America, um dos melhores Six Flags que existem! Muito organizado, limpo e conservado, o Great America tem uma das maiores coleções de montanhas-russas de todos os Six Flags (são 15!) e também uma das melhores! O grande destaque por lá é a Maxx Force, uma montanha-russa de lançamento de ar comprimido e que é o mais forte do mundo, saindo de 0 a 125 km/h em apenas 1,8 segundos; a hiper montanha-russa Raging Bull e a montanha-russa híbrida Goliath. Passamos o dia inteiro no Six Flags, chegando completamente mortos (porém, em êxtase) no hotel.
Para chegar no próximo parque, saímos de Chicago e dirigimos aproximadamente uma hora e trinta minutos pelos milharais e pastos do estado de Indiana. Chegamos em uma cidadezinha chamada Monticello, localizada à beira de um rio, e onde o principal programa de diversão deles (e das cidades ao redor) é o Indiana Beach, um parque de diversões histórico que funciona desde 1926. O charme do Indiana Beach é que o parque parece preso no século XX, com brinquedos nostálgicos e montanhas-russas de madeira que lembram os parques de píeres famosos por começarem a era moderna dos parques de diversão. Suas atrações são ótimas, a começar pela Steel Hawg, uma montanha-russa de aço completamente contorcido em que as manobras são completamente doidas; a Lost Coaster of Superstition Mountain, uma atração maluca em que o trem é uma jaula e você tem uma subida de elevador; e o Dr. Frankenstein's Castle, um labirinto de terror completamente no escuro que não tem monstros, mas em compensação, tem um monte de cenários feitos propositalmente para te dar susto e te fazer perder a orientação lá dentro. Ficamos 15 minutos até achar a saída!
Como a visita ao Indiana Beach não demorou mais do que 4 horas, voltamos para Chicago para ir no Navy Pier, e no caminho, vimos uma infinidade de fãs da Taylor Swift prontos para entrarem no show da loirinha. Infelizmente, tentamos de tudo para comprar o ingresso, até entrar na fila que abria minutos antes do show, mas não conseguimos entrar. Chegamos no Navy Pier totalmente cabisbaixos, mas as brisas incríveis do lago Michigan e a beleza do Navy Pier foram tamanhas, que rapidinho melhoramos um pouco nosso humor. Infelizmente, a principal atração do Navy Pier, a roda-gigante, é bem cara, custando 18 dólares. Deixamos passar, e fomos curtir a atmosfera sensacional de Chicago, se perdendo pelas ruas da cidade e caminhando pela incrível Riverwalk.
Fiquei impressionado com o quanto Chicago é vibrante, sendo uma cidade completamente viva, totalmente diferente da maior parte das cidades grandes do interior dos Estados Unidos, como Cleveland. A Magnificent Mile tem todas as lojas que você imaginar, mas o que chama a atenção mesmo é o Millennium Park e seu famoso “feijão”, que na verdade, é uma nuvem, com o nome original “Cloud Gate”. Milhares de pessoas passam por ali para tirar foto, e depois de conseguirmos a nossa, fomos ansiosos para um poste no início da East Adams Street, em frente ao Art Institute of Chicago. Ali, temos uma placa indicando o início da antiga Rota 66. Era quase como se a placa pudesse falar: “se preparem para as aventuras que virão!”.
Quando amanheceu, já estávamos na estrada de novo em direção à Wisconsin Dells, uma cidade turística cheia de parques aquáticos (não tão incríveis quanto os nossos do Brasil, e de mais precisamente, Caldas Novas). Mas, não eram os toboáguas que nos interessavam, e sim, as montanhas-russas de madeira do Mt. Olympus, uma combinação de templo grego, parque aquático, circuito de kart, e parque de diversões. Sua principal atração é a Hades 360º, uma montanha-russa de madeira gigantesca com uma inversão sensacional. Infelizmente, ela é bem agressiva, tamanha a radicalidade que seu percurso oferece (o nome foi muito bem escolhido)! Saí quebrado, mas felizmente as outras montanhas-russas, Zeus, Pegasus e Cyclops, eram ótimas e muito divertidas. Recentemente, o Mt. Olympus tinha ganhado fama mundial por ter o primeiro toboágua de roda-gigante do mundo, e posso falar com todas as letras que o Medusa’s SlideWheel foi o ponto alto do nosso dia! O toboágua é simplesmente genial, e a bóia, quando entra na roda, fica indo e voltando a depender dos giros que a atração dá. Fomos diversas vezes!
Ao sair do parque, vimos várias atrações de pega-turista na cidade, como museus interativos e restaurantes com shows, porém o que nos chamou a atenção foi a quantidade de labirintos de terror! Queríamos muito ter ido em um, porém, todos os horários já estavam esgotados… Fica a dica para a próxima vez, né? Paramos depois em uma loja especial da Deny’s, que tem uma arquitetura e uma vibe completamente dos anos 70, exaltando todo o espírito da Rota 66. À noite, ficou tudo iluminado com neons vermelhos e eu jurava que eu estava em Hawkins, cidade de Stranger Things. Uma experiência sensacional e inesquecível. Viver um momento assim tão longe da realidade que tenho no Brasil enche meu coração de alegria!
Pegamos mais 3 horas e 30 minutos de estrada até Minneapolis, onde fica um dos maiores shoppings dos Estados Unidos: o Mall of America. Dentro dele, ficam todas as lojas possíveis e imagináveis de se ver num shopping por lá, mas o que mais nos interessava era o Nickelodeon Universe, o primeiro parque temático dedicado aos desenhos da Nickelodeon. O Nick Universe de Minneapolis é menor que o de Nova York, mas nem por isso menos interessante. Seu destaque principal é a montanha-russa do Bob Esponja: a SpongeBob SquarePants Rock Bottom Plunge, com queda de 97º e que fica duas vezes de cabeça para baixo! Além disso, temos montanha-russa dos Padrinhos Mágicos, em que os carrinhos giram em torno do próprio eixo (como as loucuras do desenho) e a montanha-russa do Avatar, que é em formato de U e que você tem a experiência de ficar como se fosse um skatista dobrador de ar! O parque tem atrações para toda família, e é claro, que tem muitas para crianças. Tem atração da Dora, da Patrulha Canina, dos Anjinhos, dos Backyardigans… e por aí vai!
O último parque da primeira parte da viagem foi o Valleyfair, também em Minneapolis. No dia que fomos, tinha uma mega excursão escolar, porém conseguimos aproveitar todos os brinquedos perfeitamente. Seus principais destaques são a incrível Wild Thing, uma hiper montanha-russa de 63 metros de altura e muitos pontos radicais em que você levanta do banco; a excelente Renegade, uma montanha-russa de madeira que não é muito alta, mas tem curvas em altíssima velocidade que te fazem se sentir numa perseguição emocionante; e a Excalibur, a primeira montanha-russa híbrida da era moderna! Além disso, tivemos uma grata surpresa: a Steel Venom, uma montanha-russa de lançamento e invertida em estilo bumerangue, tinha um dispositivo especial que fazia o trem parar em uma de suas torres antes de cair de novo para estação - nos deu um enorme frio na barriga!
Parte II: Florestas

Saindo da região dos Grandes Lagos, pegamos o carro direto para as florestas do interior oeste dos Estados Unidos. Nessa região, quase todos os parques foram construídos no meio de árvores, dando a impressão que estamos isolados na floresta andando de montanha-russa. Depois de 3 horas e 30 minutos de viagem até Waterloo, no estado de Iowa, chegamos ao Lost Island, um dos mais novos parques temáticos dos Estados Unidos. Sua concepção temática lembra muito o Terra Encantada, tendo história e personagens próprios. Seu destaque é o premiado brinquedo de tiro-ao-alvo de alta tecnologia Volkanu: Quest for the Golden Idol; a montanha-russa de lançamento Matugani, que oferece uma experiência incrível através de loops compactos e alta intensidade; a torre de queda livre Skyborne, que parece que você está no topo do céu; e o splash Yuta Falls, com duas muitíssimo refrescantes. Tivemos um dos dias mais divertidos da viagem no Lost Island!
Logo depois, pegamos o carro novamente e seguimos até Des Moines, capital e cidade mais populosa de Iowa, e lar do Adventureland, um parque temático que conseguiu ser algo como a “Disneyland do interior”, tendo uma entrada muito semelhante ao parque de Walt Disney e um quadro de atrações mais voltado à experiências familiares e infantis. Porém, o Adventureland ofereceu para nós uma das melhores montanhas-russas da viagem: a Monster, uma besta de aço com uma queda de 101°, indo a mais de 100 km/h e ficando 5 vezes de cabeça para baixo! Além dela, o parque tem a Dragon Slayer, uma montanha-russa em que o assento dá cambalhotas e a ótima dupla de montanhas-russas de madeira Outlaw e Tornado.
Fizemos uma viagem dentro da viagem ao seguir para o Worlds of Fun, um parque temático em que o seu tema principal é a volta ao mundo em 80 dias de Júlio Verne. Tivemos um ótimo dia lá dentro, curtindo atrações da mais alta qualidade, como a Zambezi Zinger, uma montanha-russa híbrida de madeira e aço com uma subida em espiral; a Mamba, uma hiper montanha-russa com velocidades absurdas e colinas que nos fazem sair do banco; a Prowler, considerada uma das melhores montanhas-russas de madeira do mundo; e a Patriot, uma montanha-russa invertida que oferece uma experiência intensa e divertida ao mesmo tempo! Tivemos a sorte, nesse dia, de pegarmos o primeiro dia de funcionamento da Zambezi Zinger e assim, sermos recebidos com muita alegria pelo presidente do parque em saber que éramos do Brasil!
Quando chegamos a St. Louis, no estado do Missouri, sabíamos que estávamos no meio da Rota 66. A cidade foi uma das que cresceu exponencialmente junto com a rota, e para simbolizar a expansão pro oeste, construiu o Gateway Arch, um enorme arco de metal visto de todo canto da cidade. Fomos até o outro lado do rio Mississipi para poder observar toda a grandiosidade do arco. Uma pena que o dia estava nublado, porque tenho certeza que observar esse arco no pôr-do-sol deve ser a coisa mais linda do mundo! Depois desse rolê, fomos até o Hooters, um restaurante de comida estadunidense em que as garçonetes se vestem de maneira provocativa e sensual!
O parque de St. Louis é o Six Flags St. Louis, o terceiro parque temático construído pela rede e que aproveitou o sucesso da cidade entre os viajantes para se desenvolver. Apesar da chuva, tivemos um dia super divertido, já que o parque estava vazio e as atrações funcionando a todo vapor! O maior destaque é a Mr. Freeze: Reverse Blast, uma montanha-russa de lançamento reverso que passa por uma gigantesca inversão antes de cair em 90° e fazer todo o seu percurso novamente, de frente. Além dela, esse Six Flags tem a The Boss, uma montanha-russa de madeira gigantesca (a 11ª mais longa desse tipo do mundo) que passa pelas árvores da floresta de St. Louis; a American Thunder, outra montanha-russa de madeira excelente; a Ninja, uma montanha-russa de aço histórica com ótimos loopings; além do brinquedo super radical Catwoman's Whip, um enorme bastão que gira em 360°, e o brinquedo de tiro-ao-alvo super tecnológico Battle for Metropolis, da Liga da Justiça.
Nosso próximo destino ainda seria dentro do Missouri, mais especificamente no sul do estado: a região de Branson, uma das maiores cidades turísticas do interior dos Estados Unidos. No caminho de St. Louis até lá, paramos para dormir numa cidade chamada Rolla (deixo os pensamentos da quinta série para você, leitor), cheia de estabelecimentos exaltando a Rota 66. Em Rolla, você dirigimos em um pedaço original da estrada, e como estava de noite, imediatamente me lembrei de uma cena de Carros em que o Relâmpago McQueen, ao se perder, entra numa sessão da Rota 66 à noite e quase bate num trem por ele não ter faróis e a estrada estar totalmente escura. Com exceção de que nós tínhamos faróis, a estrada não tinha uma única iluminação, e quase atropelamos um cervo!
No dia seguinte, partimos bem cedo em direção à Branson e paramos em Springfield, uma cidade grande perto de Branson e lar da maior loja Bass Pro Shops dos Estados Unidos! Essa loja é o puro suco estadunidense: você pode encontrar uma infinidade de itens de pesca, itens de caça, o boné branco que todo mundo lá usa, e armas de todos os tipos, sendo vendidas como se fosse sorvete no mercado. Esse foi o maior choque cultural que eu havia presenciado dentro do país!
Branson, que fica em um vale chamado Vale dos Ozarks, é uma cidade de interior, mas com jeitão de uma “Orlando do interior”, cheia de lojas enormes, restaurantes temáticos, outlets, e atrações turisticas, como as montanhas-russas de trenó de montanha Runaway Mountain e The Branson Coaster, e o trem Zephyr que faz um passeio pelas paisagens cênicas e morros do sul do Missouri. Tudo pensado muito bem para você passar dias na cidade. Nós jantamos no Uptown Café, um restaurante com temática vintage típica da Rota 66 que tinha aqueles espaços para apresentações de artistas que estavam começando, mas chegamos muito tarde e éramos os únicos clientes.
A principal atração de Branson é o Silver Dollar City, o melhor parque temático dos Estados Unidos segundo os próprios estadunidenses! Não é para menos: totalmente encrustrado dentro da floresta, o Silver Dollar City é uma réplica de uma cidade mineira do século XIX, e tudo é muito bem pensado para você se sentir como um habitante dela - até o mapa do parque fica dentro de um jornal com notícias e avisos. Além dos shows de Velho Oeste sensacionais, outros destaques são as montanhas-russas, especialmente a Time Traveler, uma montanha-russa em que os carrinhos giram em torno do próprio eixo enquanto passam por lançamentos, inversões e ótimas quedas. Outras montanhas-russas que amei foram a Outlaw Run, uma montanha-russa de madeira que fica duas vezes de cabeça para baixo e tem quedas enormes, e a Wildfire, uma montanha-russa de altíssima velocidade com loopings pela floresta. O parque ainda tem uma atração premiada: Mystic River Falls, uma corredeira de botes que tem uma queda que te deixará completamente encharcado!
Quando saímos de Branson em direção à próxima cidade, Hot Springs, no estado do Arkansas, passamos por belas paisagens no Vale dos Ozarks, pegamos um temporal absurdo, que nos fez parar o carro para esperar a chuva estiar um pouco. Isso fez com que a nossa chegada no parque Magic Springs fosse adiada, mas nada que comprometesse de fato nosso tempo para ir nas atrações. Isso porque, além do Magic Springs ser muitíssimo pequeno, mais da metade do parque é parque aquático, e das 10 atrações de parque de diversão, três estavam em manutenção! O que nos fez ir até o parque foi a X-Coaster, a montanha-russa que tem a inversão mais alta de toda a América, e que realmente valeu a pena, já que foi uma montanha-russa que me fez sentir muito medo, algo que não acontecia já algum tempo. O resto do parque era pura depressão, sem vida e sem visitantes. Além disso, oe poucos visitantes que estavam lá ficavam nos olhando torto quando falávamos português. Ficamos menos de 3 horas lá dentro, o que foi uma decepção para o valor comprado no ingresso, e fomos em direção à Oklahoma no dia seguinte.
No caminho para Oklahoma, ainda no Arkansas, um policial nos parou por estarmos acima do limite de velocidade na cidade dele (nos EUA, alguns estados o limite de velocidade é uma sugestão e em outros não. Confesso que não vimos isso sobre cada estado antes da viagem. Você pode conferir isso aqui). A abordagem foi extremamente grotesca, com ele dizendo que “Não sei se no Brasil tem leis de trânsito, mas aqui na América tem” e “nunca mais passem acelerando na minha cidade”. Todo esse cenário horrendo me fez querer nunca mais voltar no Arkansas! Quando passamos a fronteira, o tempo até abriu um sol.
Chegamos à Oklahoma animados para o Six Flags Frontier City, o menor Six Flags que existe mas também um dos mais fofos e bem cuidados. Assim como o Silver Dollar City, o parque reproduz uma cidade do Velho Oeste, e seus brinquedos são todos tematizados de acordo com a temática bang-bang. Estar no parque foi muito divertido, especialmente por ver o quão esse parque poderia estar facilmente no Brasil. Seu maior destaque é a montanha-russa de lançamento Diamondback, uma atração raríssima no mundo que ainda funciona perfeitamente! Seu funcionamento é como a Katapul do Hopi Hari, mas ao invés de subir rampas, após o lançamento, o trem cai e faz um looping, proporcionado uma excelente sensação de levitar do banco - e o percurso é feito de costas depois! Outras atrações são mais comuns à outros parques, mas nem por isso tira o brilho do Six Flags Frontier City.
Quando estávamos repetindo as melhores atrações do parque, um tornado, algo bem comum de acontecer em Oklahoma, interrompeu nossa visita ao começar a se dirigir para a região do Six Flags Frontier City. Saímos do parque com fome, e com isso, paramos rapidamente num Applebees para comer. Ao sair do carro e abrir a porta, o vento já era tanto que parecia que a porta do carro era uma bandeira… totalmente assustador! Conseguimos superar o vento, voltar para o hotel e no dia seguinte, pegar o voo em direção à Denver, no Colorado.
Parte III: Cânions

Denver nos recebeu debaixo de chuva, muita chuva. A previsão para o dia não era nada boa, com zero possibilidade de estiagem. Mas, mesmo com esse revés, seguimos após o aeroporto para o Elitch Gardens, um parque de diversões localizado à beira de um rio no centro da cidade. Me lembrou MUITO o Playcenter à beira da Marginal Tietê, especialmente porque o parque tem uma linda Boomerang, a melhor desse tipo que eu já andei. Devido ao clima tenebroso, tinha pouquíssimas pessoas no parque, e algumas atrações nem abriram. Das 6 montanhas-russas, 3 estavam fechadas, uma era de criança e outra além da Boomerang era um clone da FireWhip do Beto Carrero World. O parque não tem nenhuma atração que seja um grande destaque perante aos outros parques do país, mas diante do que estava aberto, foi um dia divertido. Gostei especialmente do brinquedo de tiro-ao-alvo psicodélico Kaleidoscape e descer debaixo de chuva na torre de queda livre Tower of Doom foi sensacional. Infelizmente, tivemos que sair do parque 4 horas depois de termos entrado, porque a chuva piorou muito e eles fecharam para o resto do dia.
O clima no Colorado estava tão maluco, que enquanto estávamos na estrada em direção à nossa próxima cidade, localizada nas alturas, nos cânions dos Estados Unidos, acima de mais 2000 metros do nível do mar, a temperatura estava abaixo de 10 graus. Tecnicamente, estávamos no primeiro dia do verão! Aproveitamos esse inverno fora de época para visitar a cidade de Vail, um lugar de alto padrão que durante o inverno (de verdade) fica cheia de turistas e esquiadores que adoram as montanhas do Colorado. Em Vail, eu vivi uma cena que eu não poderia acreditar: estava tão frio que ao invés de chuva, estava caindo neve! Claro que não era uma neve pesada, mas era possível ver o floco de neve antes dele desmanchar nas nossas mãos. Quando saímos de Vail e subimos mais a montanha a caminho de Glenwood Springs, não acreditávamos no que se passava diante dos nossos olhos: uma nevasca! A neve estava caindo muito forte, cobrindo os pinheiros lá fora. Uma cena completamente surreal de se ver em pleno verão! Não durou muito, à medida que avançamos no caminho, porém foi o suficiente para ser inesquecível!
Quando chegamos à Glenwood Springs, ainda chovia bastante, mas, mesmo assim, paramos o carro no Glenwood Caverns Adventure Park, um parque de diversões localizado no topo do cânion Glenwood. Para acessar o parque, somente de teleférico! Na base, quando chegamos, vimos uma placa que absolutamente TODAS as atrações estavam fechadas. Demos meia volta e fomos até o Doc Holliday's Saloon and Restaurant, um saloon preservado do século XX! Pedimos um especial do Colorado, e estava tudo muito delicioso! Chegamos novamente à base do Glenwood Caverns renovados, e com todas as atrações abertas. O destaque do parque é a Defiance, uma montanha-russa que viralizou na Internet por ter sido colocada em um precipício! Eu fiquei tão feliz que por acaso do destino, ela foi minha 500ª montanha-russa! A experiência é MUITO intensa, tanto pela vista quanto pelo percurso! Aliás, a maioria das atrações do Glenwood Caverns são de altíssima adrenalina: tem balanço à beira do precipício, um chapéu mexicano em formato de árvore à beira do precipício, uma torre de queda livre que cai dentro da terra e uma montanha-russa estilo trenó de montanha que desce em alta velocidade o cânion! O parque é impecável, e diverte todas as idades!
Depois do parque, ainda fomos no Festival do Morango de Glenwood e tomamos um delicioso sorvete de morango e vimos o show de bandas locais. Meio deprimente e vazio o festival, mas como chegamos no fim, já deviam estar na saideira. Descansamos bastante para poder seguir viagem até Moab, cidade em Utah perto da fronteira com o Colorado. Moab é uma parada estratégica antes de seguir viagem até Salt Lake City, porém, mais que isso, é rodeada por dois parques nacionais imensos de cânions: o Parque Nacional dos Arcos e o Parque Nacional Canyonlands.
O Parque Nacional dos Arcos tem inúmeras formações rochosas em formato de arco, de todos os tipos possíveis! Explorar o parque é algo inesquecível porque você sente a imensidão da natureza diante de você! Alguns arcos são de fotos de fundo de tela do Windows, e dá para reconhecer instantaneamente. Os arcos mais famosos são o Delicate Arch, o Window Arch, o Landscape Arch, e o Double Arch, e as trilhas para chegar neles são bem simples. O parque estava bem cheio até 16h, e na alta temporada, é possível que seja necessário reserva para entrar no parque antes deste horário. Fomos no fim do dia, para pegar o pôr-do-sol nos arcos e ver o anoitecer. O céu no Parque Nacional dos Arcos é muito limpo, devido à ausência de luz nos cânions. Foi o céu mais limpo e estrelado que eu já vi na vida!
No dia seguinte, fomos até o Parque Nacional Canyonlands, onde os cânions são largos e amplos. As caminhadas no parque são tranquilas, e o ponto mais famoso de todo o parque é o Mesa Arch, também muito famoso de papéis de parede do Windows. Ficamos 4 horas no Canyonlands, mas esse parque nacional é imenso, com muitas trilhas. Outros pontos de interesse podem ser o GrandView Point Overlook, White Rim Overlook, o Needles District com o Angel Arch, e a área de cânions enormes Island in the Sky.
Como tínhamos ainda longas estradas pela frente, não ficamos muito tempo no Canyonlands (quem sabe uma próxima vez?). Ah, vale lembrar que os parques nacionais são gratuitos! Você só precisa verificar o site de cada parque para ver se é necessário fazer alguma reserva para entrar com o carro. Alguns dias, a demanda de carros é tão grande que é necessário controle da capacidade em algum intervalo de horário. As estradas seguintes eram solitárias até Salt Lake City, sem quase nenhuma civilização aparente. Milhas e milhas de deserto, paisagens rochosas deslumbrantes e a sensação de liberdade que uma estrada trás. Paramos bem no meio do caminho na cidade de Price para poder almoçar e abastecer o carro. O caminho até Price são 2 horas e depois de Price, são mais 2 horas até Salt Lake City. Antes de chegar em nosso hotel na cidade, paramos no Outlets at Traverse Mountain, que fica bem na entrada de Salt Lake City para conferir algumas lojas como Vans e Nike.
No dia seguinte, antes de ir para o parque de diversões de Salt Lake City, o Lagoon, saímos um pouco mais cedo do hotel para ir ao Grande Lago Salgado, corpo de água que deu nome à cidade. O Grande Lago Salgado é enorme, e possui uma salinidade maior que os oceanos, porém, sua água é contaminada por químicos - portanto, não a experimente em hipótese alguma! O lago é frequentemente usado para passeios de jetski e barcos, porém como o início do nosso dia estava bem nublado, não notamos nenhum acontecendo.
O Lagoon fica distante apenas 35 minutos do centro de visitantes do Grande Lago Salgado e é a principal atração turística de Salt Lake City. O parque é um dos melhores dos Estados Unidos por oferecer uma quantidade absurda de atrações (são mais de 70!), incluindo 11 montanhas-russas, parque aquático, parque infantil, e mais de 20 brinquedos radicais. Seus destaques são a novíssima montanha-russa Primordial, uma atração que mistura tiro-ao-alvo com radicalidade; a Cannibal, uma montanha-russa de 63 metros de altura com uma queda de 116º e a Wicked, uma montanha-russa com um lançamento vertical em alta velocidade! O parque mistura uma atmosfera clássica e nostálgica com brinquedos modernos. Para quem é fã do Playcenter, o Lagoon é um prato cheio: além de lembrar o jeitão do Playcenter de ser, o parque possui duas atrações famosas do passado do parque: uma atração idêntica à Colossus e outra idêntica à Tornado.
O dia seguinte ao Lagoon foi puxado como esperávamos. Nossa meta era chegar em Las Vegas passando por dois parques nacionais: Bryce e Zion. O percurso completo, sem desvio de rota para ir aos parques, demora 6 horas de estrada direto (sem paradas). Com o desvio, levamos 10 horas na estrada! Não só não conseguimos aproveitar muito de ambos os parques nacionais como merecíamos, chegamos em Las Vegas completamente exaustos. Serviu de lição que às vezes queremos encaixar tantas coisas no roteiro com a gana de visitar o máximo que puder, que acabamos nos sacrificando e sacrificando o tempo de visita aos lugares. Chegamos ao Parque Nacional de Bryce Canyon logo após o almoço, e pudemos ver as agulhas rochosas naturais de Bryce no Fairyland Point, um dos pontos de observação mais famosos do local. Ficamos por volta de 30 minutos lá, mas para quem gosta de se aventurar, inúmeras trilhas saem dali para caminhar entre as agulhas. O legal é se hospedar em Bryce Canyon City e aproveitar os cânions ao máximo!
O caminho até o Parque Nacional de Zion é espetacular. Antes mesmo de chegar no parque nacional, já é possível ficar completamente impressionado com as paisagens na estrada, que acompanham as curvas das montanhas e são totalmente cênicas! Você não sabe se grava, tira foto ou apenas admira a imensidão da natureza! Quando chegamos no Centro de Visitantes do Zion, ficamos impressionados com o quanto o parque era IMENSO, e acessível de vários cantos para a realização de trilhas tranquilas a trilhas superintensas. Como chegamos bem no pôr-do-sol, era o último horário do ônibus interno que levava até o Templo de Sinawava, um paredão de pedras vermelhas que se erguiam à margem do Virgin River. Fizemos um pedaço da trilha Riverside Walk, em que o destino é a The Narrows, uma área em que as grandes paredes de rocha ficam estreitas e a trilha fica um pouco mais difícil de ser feita porque é em maior parte na água. Queríamos ter chegado a ele, porém, se ficássemos até mais tarde, não chegaríamos a tempo do check-in em Las Vegas. Saímos do Zion felizes por ter conhecido o lugar, porém com o coração na mão de querer ficar mais e conhecer mais deste parque nacional belíssimo. De uma próxima vez, ficaremos mais tempo e iremos nos hospedar na cidade de Springdale, que fica aos pés de Zion.
Sair de Utah em direção a Las Vegas foi uma das transições mais surreais da viagem. Estávamos em uma estrada completamente árida, cercados por paisagens secas, montanhas e cânions, sem praticamente nada em volta, quando, de repente, começamos a ver um brilho no horizonte. As luzes de Las Vegas surgindo no meio do nada são algo difícil de descrever — é simplesmente absurdo perceber que uma cidade daquele tamanho existe naquele cenário. Quanto mais nos aproximávamos, mais surreal ficava. A chegada em Las Vegas é monumental. As luzes são tão intensas que parecem cegar, os prédios surgem todos iluminados, cada um disputando atenção, e tudo lembra uma grande cena de filme. É barulho, movimento, neon para todos os lados e aquela sensação constante de exagero, como se nada ali tivesse sido feito para ser discreto. Dá para entender imediatamente por que Las Vegas é única no mundo.
Ficamos hospedados no Circus Circus, um hotel mais barato e claramente parado no tempo, com aquele visual clássico que parece não ter mudado desde os anos 90. Apesar disso, ele tinha um grande diferencial: dentro do hotel fica o Adventuredome, um parque de diversões totalmente fechado. O parque é compacto, mas cheio de atrações interessantes, com montanhas-russas passando por cima da cabeça, luzes coloridas e um clima bem caótico. A grande estrela para nós foi a El Loco, uma montanha-russa insana, com quedas extremamente inclinadas e uma sensação constante de que o carrinho vai sair dos trilhos. Simplesmente amamos — foi daquelas atrações que você sai rindo, tremendo e querendo ir de novo. Você ainda encontra a montanha-russa Canyon Blaster, uma montanha-russa clássica com loopings, o brinquedo radical Inverter que parece ter saído de um jogo e brinquedos interativos. Além disso, o parque é uma ótima opção para fugir do calor de Las Vegas! Lá dentro, o ar condicionado é fortíssimo!
Outro ponto altíssimo da viagem foram os brinquedos da THE STRAT. Até hoje, sem exagero nenhum, estão no top 1 das coisas mais assustadoras que já fiz na vida. Estar a mais de 300 metros de altura já é absurdo por si só, mas o X-Scream, que literalmente te lança para fora da torre, deixando o carrinho “pendurado” no vazio, é algo que desafia qualquer limite psicológico. Eu fui no primeiro assento, então fiquei olhando fixamente o chão embaixo, a mais de 200 metros de altura. Se eu fechar os olhos, eu consigo lembrar do nervoso de estar nesse momento de novo! Foi muito marcante! A Big Shot, a torre de queda livre, completa o pacote com uma subida explosiva e uma vista surreal da cidade antes da queda. É medo puro, real, daquele que faz as pernas tremerem muito depois de sair do brinquedo.
Reservamos um dia inteiro para caminhar pela Strip, indo de hotel em hotel, entrando praticamente em todos os cassinos possíveis. Passamos pelo Excalibur, com seu tema medieval, pelo Luxor, com sua pirâmide gigantesca, Planet Hollywood, Aria, Venetian, Caesars Palace, Bellagio, Paris e tantos outros. Cada hotel é praticamente um parque temático por si só. No Caesars Palace, tivemos a sensação de estar em um ambiente paralelo desconexo com a realidade, porque é impossível saber lá dentro se está de dia ou de noite! Você realmente perde a noção do tempo! No New York-New York, fomos na The Big Apple Coaster, uma experiência completamente surreal. A montanha-russa contorna o hotel, passa por cima da Strip e dá a sensação de estar “sobrevoando” um cassino em pleno funcionamento. A queda inicial é ótima, intensa e surpreendente, embora o percurso seja um pouco desconfortável — ainda assim, é uma daquelas experiências que só Las Vegas poderia oferecer.
À noite, fomos na High Roller, a roda-gigante da cidade, que proporciona uma vista incrível de toda a Strip iluminada. Depois, caminhamos pelas calçadas, que ficam completamente tomadas de gente de sexta a domingo. O clima lembra muito a Lapa, no Rio de Janeiro, só que elevada à décima potência: muita luz, muito neon e pessoas de todo tipo. Tem desde gente completamente bêbada e figuras completamente malucas, até pessoas super bem vestidas, prontas para entrar nas festas e clubes da cidade. É caótico, exagerado e fascinante ao mesmo tempo.
Também fizemos as paradas clássicas. Visitamos a icônica placa de Welcome to Las Vegas, rendendo aquelas fotos obrigatórias, e fomos ao Pinball Hall of Fame, um verdadeiro paraíso. O lugar é gigantesco, cheio das melhores máquinas de pinball que já vi na vida, de várias épocas diferentes — incluindo uma máquina temática do RollerCoaster Tycoon, que foi simplesmente surreal de encontrar. Dá vontade de passar horas ali jogando. Outro ponto inesperadamente incrível foi o Museu de Stranger Things, com vários objetos originais da série, cenários recriados e, claro, a icônica sala de estar da Joyce, que dá aquela sensação absurda de estar literalmente dentro da série. Para quem é fã, é impossível não se arrepiar.
Enquanto estávamos em Las Vegas, fizemos um bate-e-volta até o Arizona para visitar o Grand Canyon West. A entrada é paga e custa cerca de US$ 60, e confesso que fui achando que talvez não fosse me impressionar tanto, já que já tínhamos visto outros cânions na viagem. Eu estava completamente errado. O Grand Canyon é algo que não cabe em palavras. Fiquei estupefato, chocado com a grandiosidade do lugar — é grande demais, profundo demais, poderoso demais. Poderia facilmente ter ficado horas e horas apenas observando. O pôr do sol ali foi um dos mais lindos que já vi na vida, com cores absurdas pintando o cânion. Sinceramente, acredito que voltaria ao Arizona só para visitar outras áreas do Grand Canyon.
No mesmo dia, seguimos para Seligman, a pequena cidade da Route 66 que serviu de inspiração direta para a Disney criar Carros. Almoçamos em um restaurante típico, com aquele clima clássico de estrada americana, e visitamos a famosa barbearia onde a equipe da Disney conversou com um morador local para ouvir histórias da cidade e desenvolver o filme. Foi ali que nasceu a essência de Radiator Springs. Andar por Seligman é como caminhar dentro do filme: a cidade tem os carros reais que inspiraram os personagens, como a Kombi verde, o carro de polícia, o caminhão e outros espalhados pelas ruas. Para mim, foi a realização de um sonho estar no lugar que deu origem a um dos meus filmes favoritos de todos os tempos — um daqueles momentos que ficam marcados para sempre na memória.
Parte IV: Los Angeles

O caminho para Los Angeles foi no deserto do Death Valley, um dos desertos mais tensos dos Estados Unidos - não tinha nada em volta! Nossa primeira parada foi na cidade fantasma de Calico, onde o Velho Oeste parece ter ficado congelado no tempo. Caminhamos bastante pelas ruas de terra, entramos nas antigas construções de madeira, visitamos as lojinhas temáticas, o antigo saloon, a cadeia, a escola e até a mina de prata, que foi o grande motivo da cidade ter existido no fim do século XIX. Tudo muito bem preservado, com placas explicativas e encenações que ajudam a imaginar como era a vida dura dos mineradores naquela época. Calico é aquele tipo de lugar que rende fotos incríveis e faz você realmente se sentir dentro de um filme de faroeste. Para entrar em Calico, é necessário pagar um ticket de aproximadamente 8 dólares.
De lá, seguimos viagem e fizemos uma parada curiosa no McDonald’s Museum, em San Bernardino, onde tudo começou. O museu fica no local do primeiro McDonald’s da história e é cheio de memorabilia, brinquedos antigos, embalagens clássicas e curiosidades sobre a marca. É uma visita rápida, mas extremamente interessante, principalmente para quem gosta de cultura pop e história. A pessoa que cuida do lugar pede uma doação de qualquer valor para ajudar manter viva a história do primeiro McDonald’s, já que esse museu não é reconhecido oficialmente pela rede.
Entramos pelo trânsito interminável de Los Angeles para chegar, já no fim do dia, a Santa Monica para começar a fechar nossa viagem com chave de ouro. Caminhar pelo Santa Monica Pier ao pôr do sol foi simplesmente perfeito: a vista do oceano Pacífico, artistas de rua, a praia cheia de vida e aquele clima californiano clássico. Não perdemos tempo e fomos logo aos brinquedos do Pacific Park, principalmente as icônicas Westcoaster (montanha-russa) e Pacific Wheel (roda-gigante). Além delas, o parque tem outras atrações clássicas, como a West Coaster, uma montanha-russa compacta que passa bem perto da água, o G-force, o Sea Dragon e vários brinquedos familiares. Mesmo sendo pequeno, o Pacific Park tem uma energia única, com música, luzes e aquele clima de parque retrô misturado com a vibe praiana da Califórnia. Dá para comprar ingressos individuais ou passes, comer algo nas lanchonetes ao redor e simplesmente curtir o movimento enquanto o sol se põe. É o tipo de lugar que não impressiona pelo tamanho, mas pela experiência — perfeita para fechar o dia em Santa Monica sentindo que você está exatamente onde sempre viu nos filmes e séries. Entre fotos, uma volta pelo píer e a sensação de finalmente ter chegado à Los Angeles, terminamos o dia cansados, mas com a certeza de que foi um dos trajetos mais marcantes da viagem.
O dia em San Diego foi daqueles bem completos. No SeaWorld San Diego, deu para perceber como o parque evoluiu muito nos últimos anos, com foco maior nas atrações radicais. A Manta chama atenção logo de cara, com aquele percurso suave e rasteiro sobre a água, enquanto a Electric Eel garante lançamentos intensos e quedas verticais que surpreendem. A que mais chamou nossa atenção foi a Emperor, uma montanha-russa de mergulho com uma vista maravilhosa de San Diego! Entre uma atração e outra, caminhamos bastante pelas áreas de animais marinhos, aquários e espaços educativos, o que deixa o parque equilibrado entre a adrenalina e a contemplação. No fim da tarde, seguimos para o Belmont Park, um parque de diversões clássico à beira da Mission Beach. O grande destaque é a Giant Dipper, uma montanha-russa de madeira histórica, simples e deliciosa de andar, além do clima retrô, com alguns brinquedos radicais, como o pêndulo Beach Blaster, fliperamas, lojinhas, restaurantes e o pôr do sol dando um toque especial ao passeio.
A Disneyland foi um dos dias mais especiais da viagem. Estar no parque original da Disney tem um peso diferente, e isso se sente em cada detalhe. A Main Street, U.S.A. já entrega aquela sensação de magia imediata, e o parque é repleto de atrações clássicas que são referências até hoje. Pirates of the Caribbean e Haunted Mansion têm versões icônicas, o Indiana Jones Adventure impressiona pela intensidade e cenários, e a Space Mountain entrega uma experiência diferente da de Orlando, mais intensa e compacta. Me lembro que fiquei muito chocado com a grandiosidade da Star Wars: Galaxy’s Edge - foi um momento muito especial para quem é fã de Star Wars como eu! O parque é extremamente denso, com atrações uma atrás da outra, trilhas sonoras marcantes e um cuidado absurdo com a ambientação da magia Disney.
No dia seguinte, estar em um dos meus parques favoritos, o Disney California Adventure trouxe uma felicidade imensa para dentro de mim. Cada momento nesse parque é muito especial, especial porque ele traz um contraste interessante com a Disneyland, com um estilo mais moderno e ousado. A área de Cars Land, a minha favorita (sou muito fã de Carros!), é facilmente uma das melhores já criadas pela Disney, com destaque absoluto para Radiator Springs Racers, que mistura dark ride com corrida em alta velocidade. A Guardians of the Galaxy – Mission: BREAKOUT! entrega quedas absurdas e uma trilha sonora perfeita, enquanto a Incredicoaster garante loops e velocidade com vista para o parque. O parque tem um clima mais adulto, culinária diferenciada e uma identidade própria que o faz, para mim, ser o melhor parque Disney já criado!
O dia no Six Flags Magic Mountain começou cedo — e não foi por acaso. O parque fica longe, e tivemos que acordar bem antes do sol nascer para conseguir aproveitar o máximo possível. Conhecido como a “capital mundial das montanhas-russas”, ele realmente faz jus ao título. É um parque focado em adrenalina, com destaques como a Twisted Colossus, uma das minhas montanhas-russas favoritas, especialmente pelas vezes que ela te faz levitar do banco inúmeras vezes; X2, uma das montanhas-russas mais radicais e intensas do mundo, que te fará dar cambalhotas em um percurso radical; Tatsu, uma montanha-russa em que você vai se sentir como se estivesse voando pelas montanhas da Califórnia; Full Throttle, detentora de um dos maiores looping do mundo; e a Goliath, uma hiper montanha-russa que é maravilhosa! Não é um parque de muita tematização, mas compensa com uma quantidade absurda de atrações intensas, o que fez o dia ser fisicamente cansativo, porém completamente satisfatório para quem ama montanha-russa (como a pessoa que vos escreve).
O Universal Studios Hollywood também exigiu um despertador madrugador. Acordamos muito cedo por conta do trânsito de Los Angeles, tudo para chegar a tempo de aproveitar o early ticket do Super Nintendo World. E valeu cada minuto. Entrar cedo no parque fez toda a diferença para explorar a área com mais calma, aproveitar o Mario Kart: Bowser’s Challenge e absorver cada detalhe do mundo do Mario. Um dos melhores momentos no Super Nintendo World foi o Toadstool Café, um restaurante que você vê os Toads trabalhando e cozinhando até serem atacados pelo Bowser! Além disso, o parque tem atrações icônicas como o Studio Tour, que é exclusivo de Hollywood e você pode ver bastidores reais de shows da Universal, além de The Wizarding World of Harry Potter, uma réplica da área de Hogsmeade do Islands of Adventure em Orlando; do Jurassic World – The Ride, um dos melhores brinquedos aquáticos que já fui; a réplica de Springfield, a cidade dos Simpsons; a atração excelente de Transformers e a Revenge of the Mummy, uma ótima montanha-russa no escuro. Outra atração que é exclusiva do Universal Studios Hollywood e que todos amaram foi o brinquedo de A Vida Secreta dos Bichos. O parque é mais compacto, mas extremamente eficiente e cheio de experiências únicas.
Por fim, o Knott’s Berry Farm foi, mais uma vez em uma viagem minha à Califórnia, um dos parques mais surpreendentes e um fechamento perfeito para a 2023 The Heartbeat Tour. Diferente dos outros, ele tem uma identidade muito própria, que mistura história, tradição e adrenalina de forma extremamente natural. A Ghost Town é o grande coração do parque e uma das áreas de Velho Oeste mais bem feitas que existem, com ruas de madeira, lojas antigas, apresentações ao vivo, a antiga cadeia, a ferraria e personagens interagindo com os visitantes, fazendo você realmente se sentir dentro de uma cidade do século XIX. Ao mesmo tempo, o parque não deixa nada a desejar quando o assunto é montanha-russa. A GhostRider, de madeira, é intensa, rápida e passa colada nas estruturas da Ghost Town, trazendo uma sensação absurda de velocidade. A HangTime impressiona logo de cara com sua subida vertical e queda em ângulo negativo, seguida de inversões bem agressivas, enquanto a Silver Bullet entrega um percurso clássico e muito fluido, passando por cima do lago e de áreas bem abertas do parque. Ainda tem a Xcelerator, com seu lançamento explosivo, e a Sierra Sidewinder, que traz um toque mais divertido e familiar. Além das atrações, o Knott’s tem um clima muito mais local e menos turístico, o que deixa o dia no parque mais leve e autêntico.
A 2023 The Heartbeat Tour foi muito mais do que um simples roteiro de parques de diversões — foi uma imersão completa em paisagens, culturas, histórias e sensações que mudaram a forma como eu vejo os Estados Unidos. Cada estrada percorrida, cada cidade visitada e cada parque explorado trouxe uma identidade única, seja na adrenalina das montanhas-russas, na grandiosidade da natureza ou nos pequenos detalhes que só uma road trip permite perceber. Dos Grandes Lagos aos cânions do Oeste, das florestas do interior às luzes cegantes de Las Vegas e a beleza da Califórnia, tudo se conectou de forma quase cinematográfica. Houve dias exaustivos, acordadas antes do sol nascer, longas horas dirigindo e imprevistos pelo caminho, mas cada desafio valeu a pena. Vivemos momentos de pura euforia, medo real, contemplação silenciosa e até frustração — e isso só deixou a experiência mais verdadeira. Essa viagem reforçou em mim a certeza de que explorar o mundo sobre quatro rodas cria memórias muito mais profundas do que apenas “visitar lugares”. Volto para casa com histórias que não cabem em fotos, com sonhos realizados e com a vontade imensa de repetir tudo de novo, talvez por outra rota, outro estado… mas com a mesma paixão por estrada, parques e descobertas.
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As minhas dicas para você fazer uma viagem como essa são essencialmente duas: força de vontade e planejamento. Vou explicar como elas atuam dentro de você para fazer algo assim sair do papel. Força de vontade: isso é algo que quero passar que não vale só para viagens, mas também para vida. Vá até o limite. Tudo que fizer, vá até o limite. Seja curioso, vá até aonde ninguém foi. Saia do óbvio. A vida é muito curta para vivermos na zona de conforto. Queira ter, quando envelhecer, a memória de que você fez tudo. Você se desafiou constantemente.
Então quando estiver montando seu roteiro, não deixe parques ou cidades de fora. Adicione. Deixa a sua curiosidade te levar para mundos que você nem imaginava que ainda existiam, como eu fiz com o Glenwood Caverns. Planejamento: não dá para fazer algo assim da noite pro dia. O meu planejamento começou em 2021. Foram 2 anos juntando dinheiro trabalhando para poder tirar do papel. Vamos aos passos que fiz para fazer essa viagem internacional:
1) Estabeleça uma linha do tempo. Saiba quando você quer fazer a viagem. Primeiro, defina o ano, depois o mês, depois a quantidade de dias. A partir daí, comece a juntar dinheiro.
2) Comece a ter os itens necessários para sair do Brasil. Estabeleça uma cronologia a partir de 1 ano antes da sua data planejada de embarque.
2.1) 1 ano antes: fazer passaporte.
2.2) 10 meses antes: conseguir o visto de turismo (se aplicável).
2.3) 8 a 6 meses antes: compra da passagem aérea e outros deslocamentos aéreos.
2.4) 5 a 4 meses antes: compra da hospedagem.
2.5) 4 a 3 meses antes: compra do aluguel do carro.
2.6) 3 a 2 meses antes: compra de ingressos.
Observação 1: É costume dos parques fazerem promoções para o ano seguinte durante a Black Friday em que os ingressos têm os preços derrubados. Não hesite em reordenar os passos para ter uma otimização financeira.
Observação 2: Se você visitar um ou dois mais parques da mesma rede, ou pretende fazer dois dias ou mais no mesmo parque, considere a compra de um Season Pass. Eles costumam dar acesso a todos os parques da rede e são mais baratos que ingressos de 2 dias.
3) Convide a pessoa certa para vivenciar seu sonho com você: viajar sozinho é maneiro, mas viajar com uma companhia legal torna a viagem ainda mais divertida! Pense naquela pessoa querida que é animada, gosta de aventuras e não molenga em viagens, e faça a proposta! É sempre bom dividir os custos de hospedagem e aluguel de carro! Viva a sua vida realizando sonhos. Lembre-se que o único investimento que nós levamos quando partimos desse planeta são as nossas memórias.
"As estradas não eram retas como essa interestadual… acompanhavam as terras, com as subidas, descidas, curvas… os carros não dirigiam para ganhar tempo, dirigiam nela para aproveitar o tempo..."
Sally, em cena do filme Carros da Disney


















































































































































































































































































































































































































































































































































































































